Sempre tive dificuldade em cagar fora de casa. Meu intestino, tímido como uma irmã carmelita, até seus 18 anos recusava-se em exportar para tronos que não fossem seus conhecidos, como o verdinho da casa da mamãe e o rosinha da casa da vovó.
Até que chega o período em que você trabalha fora, almoça fora, estuda fora e, como não poderia deixar de ser, é obrigado a cagar fora. No começo era muito difícil, tapava os ouvidos pois não conseguia evacuar com ruídos, por menores que fossem. Aí o sistema fisiológico vai soltando a franga... Depois de algumas tentativas os músculos relaxam, o ambiente parece não ser assim tão ruim. Tudo iria muito bem se não fosse a águinha que respinga quando o toroço mergulha. Ah, a águinha... a águinha é terrível, o cocô pode ser o menor possível, cocô de cabrito, mas se você não toma cuidado ela vem com tudo... plesht... Não sei, mas sinto em alguns momentos que só eu sou perseguido pela águinha. Se percebo que há alguém evacuando na cabine ao lado, também percebo que a pessoa está em paz, desligada do mundo. Agora, se houvesse narrativa do que ocorre na minha cabine, esta certamente seria sonorizada como uma feira livre às 10 da manhã!
Quando eu evacuo fora de casa, seja no trabalho, parque, faculdade, utilizo a técnica de ficar semi agachado em 90º. Você levanta a tampa do vaso, dá algumas descargas para que, caso haja o respingo durante o ato, a águinha seja de boa qualidade, fecha os olhos, agarra o trinquinho da maçaneta da porta (se a porta não tiver apoio fica mais complicado) e despeja. No despejar, muita atenção, a águinha é traiçoeira! Como uma pulga, ela pula mais de 200 vezes sua altura. A técnica neste momento tenso é a seguinte: Caga, contrai e sobe o quadril pra cima.
Tem mais tragédia! Sempre que cago fora de casa, dá merda! Merda literal mesmo, por mais que eu tenha consumido só água nos últimos 3 dias, a merda feita fora de casa fede e te borra mais que todas. Entro na cabine e asseguro que tenha pelo menos 2 rolos de papel higiênico. Na maioria dos casos, consumo de 70% a 90% a celulose disponível no ambiente. É necessário ficar atento para não borrar áreas indesejadas, pois isso atrasa a permanência no banheiro fazendo com que você se banhe na pia e seja flagrado por algum colega indesejado para aquele instante.
Por fim, o pior é sair do banheiro depois de 20 minutos (esta é a média que levo para evacuar fora da minha residência) e alguém estar te procurando há 19 minutos. "Ah, fui ali fazer um xixi!" - não cola, fica explícito na sua testa que você estava num transe mais profundo do que uma mera mijadinha. Melhor de tudo é dar um sorriso efusivo, não encarar as pessoas nos olhos e perguntar em alto e bom som - "Alguém viu minha caneta? Faz uns 20 minutos que estou procurando! No banheiro não está."
...
- Alguém viu o Conrado por aí?
