segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Sorte do dia



Após quase um longo ano de hibernação esportiva, começo a dar os primeiros passos em prol da retomada. Pra quem treinava 3 horas e pouco no auge da performance, em busca de resistência para maratona, reconheço que estou longe deste passado glorioso.

Mas enfim, fui com minha equipe em 2 provas de corrida durante o último mês. A primeira prova na praia - \o/ - , calor de 30 e poucos graus, sol, quiosque, água, jacaré nas ondas... maravilhoso!

A segunda prova, não tão despojada como a primeira, foi na simpática cidade de Limeira. É curioso, pois quando parece que não há nada de anormal, eis que surgem fatos jocosos.

O patrocinador da alegre 14ª Corrida da Mulher de Limeira era uma fábrica de buchas e rolamentos. Até aí, tudo bem... prova pequena, cidade do interior, patrocinador local. O curioso ficou por parte do kit da prova. Normalmente um kit de corrida é composto por camiseta alusiva ao evento, alguns brindes e muitas propagandas.

Este kit era assim também, e um dos brindes era um biscoito da sorte patrocinado pela fábrica de rolamentos.

Abri o biscoito da sorte! "Uau, que será que vai sair?" - pensei eu. "Sorte no amor? Sorte no jogo?". Mas pasmem, o que estava escrito no bilhete da "sorte" era o seguinte:

A AMPLITUDE DA BUCHA VARIA ENTRE 17MM E 1400MM (FURO)

Primeira reação da galera: ? =O

Segunda reação da galera: XD

Nem preciso dizer que o fato virou piada. Rimos alguns minutos mas passou, era hora de correr.

Meu pai sempre usou o termo "bucha" para se referir a algo complicado. Realmente, no meu estado atual, em que se eu puser uma peruca loira e um vestido faço cover da Mama Bruschetta, retomar o velho desempenho físico não é fácil. A prova foi curta, porém com muitas subidas, muito calor, muito sol, muita indisposição, muito cansaço, muito tudo.

Sofri!

O biscoito estava certo: a corrida foi uma bucha! (de grande amplitude)

domingo, 21 de novembro de 2010

F*** Off



Com o passar dos anos, tenho tornado-me intolerante em algumas situações. Fico impaciente, resmungo por dentro, faço cara de limão azedo. Mas como eu tenho fama de bom moço, esforço-me ao máximo para não transparecer.

De uns tempos pra cá, desenvolvi uma técnica que me alivia muito em momentos de tensão. Não é preciso tomar maracujina, muito menos alprazolam. Um exemplo é quando me incomodam inesperadamente. Se sou abordado num momento "não tô legal", eu simplesmente esboço um sorriso encantador à terceira pessoa e, paralelamente a minha hipnose facial, enfio a mão no bolso da calça ou por debaixo da mesa e ergo o dedo do meio, mandando secretamente a pessoa à merda.

É muito gostoso, um alívio imediato. De repente torno-me um ser evoluído, transcendo a mim e ao outro, pelo fato de mandá-lo à PQP sem o consentimento do mesmo. Sinto-me suspenso num estado de bem estar. É como se meu íntimo estivesse acima daquele incomodo, daquele problema, daquela pessoa infeliz que me enche o saco. Tudo isso apenas com um dedo acionado!


A simplicidade está ao alcance das nossas mãos!



sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Ordináááááária





Recentemente recebi uma notícia que me alegrou muito. É o Tchan, badalado conjunto baiano da axé pop music, sucesso à partir de meados da década de 90 com o incansável bumbum elétrico de Carla Perez, está de volta e, em sua nova formação, um dos maiores patrimônios da Bahia permaneceu no grupo: Cumpadrê Washington.


Com bordões incríveis que encantaram minha adolescencia, eis que o Rei do Tchan ressurge alguns quilos mais forte, mantendo o inesquecível cabelinho de anjo levemente aparado, o serelepe sorriso no rosto e toda marotice que lhe é de direito.


Porém, sei que essa nova fase do Tchan pode ser mais breve do que se imagina. Mas isso não tira o brilho de Cumpadrê Washington e suas pérolas, como "Ordinááária"," Tcha-an, tcha-an", "didididididi-pau", "Gossstóóóóósa", "Mexe maiiinha".


É prazeroso quando nossa nostalgia é surpreendida por surpresas como estas, por retornos inesperados. E que bom que o retorno foi de Cumpadrê Washington, e não do chupa cabra abaixo:


MEXE, MEXE MAINHA!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O "eu" que eu queria ser.



Se me fosse dada a oportunidade da escolha, nasceria cartaginês, homem (de fato como nasci), por volta de 240 a.C. Cresceria recebendo desde cedo instruções militares, me tornaria um dos homens de confiança do maior estrategista (opinião própria) da história, general Aníbal Barca.

Partiria auxiliando Aníbal rumo à Roma, montado em um elefante e subindo os Alpes, destruindo o sistema da época, enfim, os romanos.
Influenciaria o general a não tomar algumas decisões equivocadas que, historicamente, ao longo do tempo, culminaram com a destruição de Cartago e o salgamento de sua terra.
Retornaria mais cedo à Cartago, deixaria menos homens em Roma, expandiria o império através do exército, ampliaria o excelente porto que a cidade já possuia na época. Seria nomeado ministro das Comunicações e do Comércio Além das Fronteiras.

Com meia idade,  meu lado espiritual estaria aflorando. Convenceria o general a abandonar as práticas do politeísmo selvagem que estraçalhava criancinhas em sacrifícios insensatos e implantaria o monoteísmo.

Como na minha realidade os romanos estariam sob poder cartaginês, construiria uma casa de campo em Roma, aonde passaria parte dos verões do mediterrâneo. 
Sessentão, fundaria uma oficina de invenções. Criaria o zíper, uma das maiores descobertas do homem.


Aníbal, após anos no poder, estaria com estafa e passaria o poder à mim. Tornaria obsoleto o despotismo, implantaria o sufrágio universal. Seria o primeiro chefe eleito por democracia na história da humanidade.

Morreria avançado em dias, morte simples, durante o sono, do tipo "o Senhor recolheu". Não haveriam grandes homenagens pois pediria ainda em vida para que evitassem tais firulas. O povo guardaria apenas minha lembrança e minha dignidade.
Meu nome seria lembrado em instituições de ensino e faria história como o militar que descobriu no humanismo a maneira de ser feliz e fazer valer a felicidade do próximo.

Quando Avatar sair do cinema e entrar na vida real, assim o farei!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A difícil arte de envelhever.


Ao longo de minhas duas décadas e três quartos de existência, os cabelos brancos começam a brotar com uma certa intensidade. O otimismo dentro de mim diz “antes cabelos brancos do que ficar careca”.
Creio que meu espírito interior é todo meninão, meus pensamentos, meus ideais, enfim, minha “alma”, chamada por alguns de consciência, não acompanha minha evolução biológica.
Às vezes sinto-me perdido, sinto que o tempo blefou comigo, passou mais rápido do que deveria. E este sentimento intensifica-se cada vez mais.
Gosto de ser espivetado, bagunceiro, criança, por mais que não transpareça isso, mas por dentro cultivo estes sentimentos. Por exemplo, hoje fui ao mercado. Me deparei com a promoção de uns bichinhos de pelúcia… um produto de tal marca mais X reais me garantiram um hipopótamo fofinho, diferente dos hipopótamos africanos assassinos que aniquilam quem nada próximo a eles.
-Moça, você tem o hipopótamo? Meu sobrinho está querendo um, tá doente por ele!
(OBSERVAÇÃO AOS LEITORES: NÃO SOU TIO NEM DE SANGUE NEM TIO TORTO)
-Tenho, eles voltaram. Acabaram por 2 vezes, mas voltaram.
-Vou levar. (Transmitindo à promotora de vendas um ar de pouco interesse)
Cá estou, feliz com meu hipopótamo de pelúcia ao meu lado!
Uma pessoa muito próxima por muitas vezes jogou na minha cara que preciso crescer. Será que sou tão infantil assim? Será isto um erro que só eu não enxergo?
Gosto de roupas coloridas com estampas de desenhos animados, videogame, bichos de pelúcia. Gosto de virar para alguém e dizer: (eu): esztrevs peris altruv? - (outro): O quê? - (eu): (mostro a língua) .
Não sinto que estou errado, não creio que tenho síndrome de Peter Pan. Nos meus momentos de descanso gosto de ser como sou, é meu direito, pôxa!
E quando estiver com todos os fios de cabelo brancos, quero ser um tiozão conservado, usando os mesmos shorts de maratona que uso para correr hoje em dia, bancando o Tarzan perto da juventude sedentária que encontrarei, óculos escuros contrastando com meu sorriso maroto, todo posudo, todo meninão, como o vovô aí de cima.

DÁ-LHE VOVÔ!!!!! Esse sabe viver!

Primeiro post, um tanto tímido.

Há alguns anos sugeri e logo ouvi de um amigo que este nome, Miúdos de um Todo, era um nome muito inteligente para nosso livro de memórias. Perdi o contato com o amigo e também a vontade de publicar o livros. Enfim, me sobrou o nome, que usarei numa corajosa tentativa de manter este blog sempre atualizado.